A necessidade de rotular

Com a agenda apertada, percorro um caminho de quinze minutos até o supermercado mais próximo do meu trabalho. Almoçar já não existe mais no meu vocabulário, muito menos na minha rotina. Vou a supermercado para suprir minhas necessidades após as dezoito horas, ou seja, o jantar.
Em plena quinta-feira o mercado esta lotado. Dia de frutas e verduras mais baratos. Me deparo com centenas de idosos fazendo compras. Ao menos uma vez por semana eles podem se reunir para discutir o preço da batata ou as notícias que leram no jornal pela manhã.
Sem prestar atenção, respondo uma pergunta automaticamente. Ajudando uma senhora a escolher a marca do arroz, digo leve esse. Esse arroz compensa mais, pelo preço e pela qualidade.
Percebo que ela passou ao menos cinco minutos analisando os rótulos de diversos embalagens até tomar sua decisão.
Rótulos, simples palavra que possui dimensões imensas que envolvem uma simples embalagem de molho de tomate até o julgamento e preconceito da sociedade.
Ser vegetariano, gay, católico, emo, tudo isso não passa de rótulos.
As pessoas necessitam de rotular e rotular outras pessoas para se auto afirmarem.
O rótulo contém todas as informações necessárias para descrever um produto ou uma pessoa. O que a maioria não percebe é que o rótulo possui informações reduzidas, resumidas. Mas o que realmente há por trás de cada rótulo?
Percebo que já estou atrasada, passo no caixa, compro o jantar e volto correndo para o trabalho.
Raquel Casciato



